Liberdade e expansão da consciência

LIBERDADE E EXPANSÃO DA CONSCIÊNCIA

A consciência daquele que está sob a influência do modo da bondade naturalmente se expande, e as portas do seu corpo, a saber, os sentidos e a mente, se abrem. Assim, a luz da bondade penetra suavemente em sua consciência e resplandece através de suas atitudes, aumentando sua capacidade de percepção e facilitando seu discernimento e entendimento das questões mais profundas da vida. Ao se tornar idêntico a si mesmo, o indivíduo – agora, autêntico – recebe mais liberdade para atuar sem ser influenciado pelas reações cármicas indesejáveis. Dessa sua nova postura, emana uma vibração amável e generosa, uma vez que seus atos e falas estão alinhados com sua vida prática. Porém, tão logo a bondade é afetada por algum grau de influência da paixão, o indivíduo começa a se julgar superior em relação aos outros. Somente ao superar a própria bondade material maculada e alcançar a bondade pura (sem influência da paixão ou escuridão), ele será capaz de desenvolver uma visão perfeita, baseada na igualdade espiritual de todos os seres. Então, com um só golpe, se livrar da influência do ego falso e do sentimento de superioridade.

De qualquer modo, mesmo que ainda esteja na plataforma material, a bondade é mais pura e superior aos outros gunas e, portanto, deve ser fortemente almejada. Um bom exemplo disso é a relação entre um cidadão e as leis que o governam. Como sabemos, quem desconhece e desacata as leis acaba aprisionado por elas, ao passo que quem as cumpre vive em liberdade. De forma semelhante, quem não considera as “leis” que regem a bondade acaba aprisionado pelo orgulho falso, enquanto quem as compreende e as obedece consegue superá-lo.

No que se refere às qualidades da paixão, podemos citar o crescimento da energia, poder, coragem e determinação no indivíduo. Por outro lado, se ele for incapaz de equilibrar e canalizar tais qualidades, terá que conviver com a cobiça, egoísmo e ansiedade e, fatalmente, se deparar com situações conflituosas que poderão levá-lo à ira e à frustração.

O elemento escuridão é, em geral, entendido como negativo, pois vela a consciência de sua vítima. Conduzindo-a à indolência, preguiça e má vontade, o modo da escuridão (tamas) faz dela uma pessoa indigna de confiança, negligente com seus deveres e compromissos. Entretanto, assim como a visão de certas pessoas fica comprometida pela falta da luz da bondade, ou se tornam acomodadas e letárgicas pela ausência da energia da paixão, existem aquelas que, desconhecendo a maneira de lidar com o lado positivo de tamas, acabam voando alto demais com as longas asas de sua intelectualidade, por isso, se encontrando em dificuldades para pisar em terra firme e não conseguindo lidar com as coisas práticas da vida. De qualquer modo, não há como negar que a escuridão é predominantemente uma força que puxa a pessoa para baixo, vela o conhecimento do indivíduo e diminui suas virtudes, assim como a bondade é uma força que predominantemente impulsiona a pessoa para cima e a faz crescer em valores.

As incontáveis combinações dos três modos da natureza explicam os diferentes estados de espírito dos amigos, parentes, casais, etc., e definem o rumo que os diferentes relacionamentos irão tomar. E como as misturas dos três modos são praticamente infinitas, há grande multiplicidade de tipos de relacionamentos. De qualquer modo, todo ser corporificado tem que compreender muito bem estas três forças, pois, enquanto estiver neste mundo, será inevitável lidar com elas, já que todos precisam da luz da bondade, da energia da paixão e, ao mesmo tempo, das boas qualidades que provém de tamas, que podem ajudar o indivíduo a criar bases sólidas. Podemos destacar o valor de uma simples vela e sua capacidade de iluminar um determinado recinto. Seu corpo de cera, consistente, representa a escuridão; o fogo ateado em seu pavio representa a paixão; enquanto seu produto final, a luz, capaz de iluminar o recinto, representa a bondade. Não se deve, portanto, pensar que a escuridão e a paixão desaparecerão por completo da vida de um indivíduo governado pela bondade. Ao contrário, orientado pelas diretrizes ajuizadas da bondade, o indivíduo saberá fazer uso correto da escuridão e da paixão.

Um rio caudaloso é outro exemplo interessante que deixa claro que, quando bem usados, a escuridão e a paixão podem até mesmo gerar a bondade. A solidez das margens do rio, cuja função é reter as águas, representa a escuridão, ao passo que a paixão é representada pelo movimento das águas. Uma vez que essa combinação garante a pureza da água, a bondade é gerada na forma dessa pureza – esse é um excelente exemplo de uma situação em que escuridão mais paixão se transformam em bondade, pois, se as águas não fossem retidas (escuridão) e movimentadas (paixão), não haveria equilíbrio (bondade). Como podemos ver, a natureza é tão sábia que todos os três modos cumprem importantes funções. De qualquer modo, alcançar a bondade pura é a grande busca humana, assim como atingir o oceano é o objetivo final do rio. Nesse contexto, alcançar a bondade pura seria comparado à glória do rio que, finalmente, alcança o mar e assume outro nível de grandeza e poder. Desse modo, quanto mais bondade possui, mais o indivíduo será capaz de usar apropriadamente os outros dois modos e menos será usado por eles. A conclusão é que, embora ser meramente governado pela bondade não seja a meta final, é certamente o meio, e quem o alcança situa-se na condição ideal para a autorrealização, pois é preciso primeiramente alcançá-lo para, num próximo passo, transcendê-lo e atingir a bondade pura.

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