Entendendo o Eu verdadeiro

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Entendendo o Eu verdadeiro

O Eu verdadeiro é a alma.

Ela é inconcebível, pois está além do alcance de qualquer experiência humana. Exceto pelo estudo dos Vedas acompanhado da prática do Yoga, não há outra fonte segura para se compreendê-la. No capítulo 2 da Gītā, encontramos várias afirmações altamente esclarecedoras sobre sua natureza. Lá se diz que a alma é invisível e imutável. Embora seja eterna, ela é a consciência que habita temporariamente um corpo específico e dá vida a ele. Diferentemente do corpo material, que é por natureza temporário, a existência da alma nunca pode ser interrompida.

Uma existência relativa

Rigorosamente falando, o que existe verdadeiramente existe sempre. Por outro lado, o que não possui continuidade é uma ilusão e, num sentido, não existe. Isso nos ajuda a entender a diferença fundamental entre alma e corpo. A alma é real, pois existe eternamente, enquanto o corpo tem uma existência relativa. Sendo eterna, a alma existia, existe e existirá sempre. Quanto ao corpo, houve um tempo que ele não existiu, assim como deixará de existir em breve. Diferentemente do corpo, que está em constante transformação e passa pelas três fases – infância, juventude e velhice –, a alma é imutável, individual e continua existindo mesmo após a destruição do corpo. É por um arranjo divino e complexo da natureza que ela acaba sendo transferida para um próximo corpo. Mas, é preciso que sejamos iluminados com o conhecimento védico para conseguirmos a ver as coisas com os olhos do conhecimento e, assim, entendê-la verdadeiramente.

Segundo os ensinamentos da Bhagavad-gītā, a alma, ou o Eu verdadeiro, é uma energia superior do Absoluto. Sua natureza e características são tão místicas e misteriosas que, por esforço próprio, somos incapazes de entendê-la plenamente. Como um átomo espiritual, ela é menor que os átomos materiais. Como um princípio vivo, sua influência se faz sentir por todo o corpo, assim como o princípio ativo de um remédio se expande por todo o corpo. Esse fato serve como prova da sua existência. Mesmo um leigo é capaz de entender que, sem a presença da alma, o corpo material não tem consciência e, portanto, está morto. Nesse caso, não há nenhum método material capaz de revivê-lo. Logo, deve ser descartada a teoria infundada de que a consciência passa a existir devido a alguma quantidade de combinação material. Ela existe unicamente devido à presença da alma espiritual.

Uma partícula atômica e infinitesimal

Assim como as inúmeras moléculas do brilho do sol, a alma é uma partícula atômica e infinitesimal do Espírito Absoluto. Em sânscrito, ela é denominada como prabhā, uma centelha espiritual situada no coração do ser vivo. Porque a medida da alma é atômica, ela está além do alcance do método empírico e além do poder comprobatório da ciência material. Sendo assim, os filósofos e acadêmicos costumam rejeitar a sua existência. Os Vedas afirmam que alma não está sozinha no coração do se vivo, mas tem a companhia transcendental da Superalma, uma manifestação do Absoluto que a acompanha internamente, a quem os mais elevados yogīs se conectam amorosamente. É a alma atômica individual também que supre energia para o corpo e permite a existência de diferentes movimentos corpóreos. Os corpúsculos que transportam o oxigênio dos pulmões, por exemplo, obtêm energia da alma. A prova disso é que, tão logo a alma abandona o corpo, as atividades do sangue que geram fusão são cessadas. Curiosamente, embora não consiga comprovar que a fonte da energia é a alma, a ciência médica admite que o coração é a sede de todas as energias do corpo. Ela é tão pequena que ninguém tem ideia de como medir sua dimensão. Com efeito, nem pode a alma ser morta, nem pode o corpo material ser permanentemente protegido. Logo que a alma espiritual sai do corpo, este invariavelmente acaba se decompondo. É a alma, portanto, que mantém o corpo, o qual, por sua vez, não tem tanta verdadeira importância sem sua presença.  A transferência da alma individual atômica para outro corpo torna-se possível pela graça da Superalma que satisfaz o desejo da alma individual, assim como um amigo satisfaz o desejo do outro.

A alma e a Superalma

Os Vedas comparam a alma e a Superalma a dois pássaros pousados na mesma árvore. Enquanto um deles (o pássaro da alma individual) come os frutos de uma árvore, o outro (a Superalma) apenas observa Seu amigo. Um pássaro está atraído pelos frutos – ora doces, ora amargos – da “árvore” da vida material, enquanto o outro apenas presencia e testemunha as atividades de Seu amigo. Embora sejam amigos, a Superalma é autossuficiente e, portanto, ocupa a posição de absoluto predominador. O pássaro da alma individual, por sua vez, é subordinada e dependente. É somente porque dá as costas para a Superalma que a alma individual se vê forçada pela natureza a mudar-se de um corpo para outro, ou de uma “árvore” para outra. Enquanto se mantém na árvore do corpo material, aluta empreendida pela alma individual é extremamente árdua. Mas, através do êxito no processo do Yoga, basta que ela busque a conexão com a Superalma. Feito isso com sucesso e, aceitando-A como seu mestre, o pássaro subordinado deverá passe a acatar voluntariamente Suas instruções para que, assim, se liberte de todos os problemas e lamentações. Por serem eternas e atômicas, as almas têm a tendência de se afastar da associação do Senhor, assim como as centelhas do fogo tendem a se apagar quando se distanciam dele.

A individualidade é eterna

Segundo os ensinamentos transmitidos por Krishna a Arjuna, mesmo após livrar-se da ilusão, o ser vivo mantém sua individualidade. O melhor exemplo disso é o próprio guerreiro Arjuna que nunca se tornou uno com Krishna, mesmo tendo alcançado a perfeição: “Para a alma, em tempo algum existe nascimento ou morte. Ela não passou a existir, não passa a existir e nem passará a existir. Ela é não nascida, eterna, sempiterna e primordial. Ela não morre quando o corpo morre”.

Diferentemente da alma imutável, o corpo está em constante transformação

O corpo está sujeito a seis tipos de transformações. Ele nasce do ventre do corpo da mãe, permanece por algum tempo, cresce, produz alguns efeitos, definha gradualmente, e acaba caindo no esquecimento. A alma, entretanto, não passa por essas mudanças. A alma não nasce, nem morre. O fato dela aceitar um corpo material é o responsável por criar condições para que este se desenvolva. Tudo o que nasce também morre. E porque não tem nascimento, a alma, portanto, não tem passado, presente ou futuro. Ela é eterna, sempiterna e primordial; isto é, não há na história indício de quando foi que ela veio a existir. Ao contrário do corpo, a alma jamais fica velha. É por isso que os assim chamados anciãos sentem que existem com o mesmo alento de sua infância ou juventude. As mudanças do corpo não afetam a alma. A alma não se deteriora como uma árvore ou alguma entidade material. Tampouco tem a alma algum subproduto. Os subprodutos do corpo, a saber, os filhos, são também almas individuais diferentes, que, devido ao corpo, aparecem como filhos de um homem em particular. O corpo se desenvolve devido à presença da alma, mas a alma não tem ramificações nem sofre mudanças. Portanto, a alma está livre das seis mudanças corpóreas mencionadas, a saber: nascimento, permanência temporária, crescimento, produção de alguns subprodutos, definhamento e queda.

 Segundo a sabedoria dos Vedas, encontramos consciência em todos os corpos – seja homem ou animal – e assim podemos entender a presença da alma em todos eles. Essa consciência da alma é, porém, limitada e, portanto, é diferente da consciência do Supremo que conhece tudo – passado, presente e futuro. Como a alma individual tende a esquecer-se da sua situação espiritual, a cada nascimento ela precisa obter internamente instrução da Superalma, a qual nunca sofre a influência do tempo e, portanto, não se esquece de nada. A perfeição do Yoga; a saber, o Samadhi, é, portanto, a fase em que a alma purificada e iluminada estabelece sua relação interna e amorosa com o Absoluto, o que é chamado de prema-bhakti.

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