A Sabedoria de um Guru

O guru, ou professor de ciência transcendental, deve executar três funções: encarregar-se do discípulo, ensinar-lhe com detalhes o conhecimento transcendental e conceder-lhe o segundo nascimento (Manu-saṁhitā 2.140). Mas ele só será capaz de cuidar, ensinar e emancipar seu pupilo se possuir quatro qualidades essenciais: conhecimento claro sobre a essência e propósito da literatura védica, habilidade em explicar seu objetivo, comportamento exemplar e condizente com seus ensinamentos, e capacidade de instruir os discípulos a aplicarem a ciência espiritual em seu cotidiano (Vayu-purāṇa).

É importante entender que, antes de a pessoa se elevar ao status de guru, ela terá que se submeter a um treinamento, pois o guru qualificado é aquele que ensina seus discípulos a agir com a mesma pureza que ele obteve através do treinamento recebido pelo seu próprio guru. Essa transmissão de mestre para discípulo se chama parampara, a corrente de sucessão discipular. O guru é, portanto, como um carteiro honesto e eficiente, que entrega uma determinada carta ao seu destinatário sem alterar seu conteúdo.

Mas, quem está preparado para, antes de assumir o papel de preceptor, se submeter a disciplinas e austeridades? Estamos falando, na verdade, de décadas de “disciplinas e austeridades”, já que ninguém pode assumir a sublime posição de representante de Deus da noite para o dia.

Sim, o significado de guru é este: representante de Deus. O que, por um lado, é simples como a função do carteiro, e que, por outro, é complexo demais. Para representar Deus, o guru terá que reproduzi-Lo, torná-Lo presente, patenteá-Lo e significá-Lo. Ele tem que ser o Seu procurador ou mandatário. Por isso, ele deve representar inspiração e encorajamento para o discípulo. É simples, porém complexo demais para os dias atuais.

Quem, hoje em dia, aceitaria essa posição? Quem está preparado para assumir a posição humilde de transmitir uma mensagem que não seja “sua”? Até mesmo quando (ironicamente) este “outro” seja o próprio Deus!

O guru genuíno é um bhaktivedanta, pois é decorado com devoção (bhakti) e com a conclusão do conhecimento transcendental (vedānta), pois, sem devoção e conhecimento, ninguém consegue dissipar as dúvidas de ninguém e, consequentemente, não é capaz de levar o estudante sincero de volta ao lar, de volta ao Supremo. Na verdade, a Bhagavad-gītā afirma que somente através de bhakti e vedānta alguém pode desvendar os mistérios da compreensão sobre a Divindade Suprema.

Tendo desvendado os mistérios divinos do Absoluto, a única função de um guru bhaktivedanta passa a ser a de unicamente propagar a consciência de Deus. Essa atividade imaculada o dota com suficiente poder espiritual para ser um refúgio seguro para aqueles que desejam vida espiritual. E, ao tornar-se discípulo de tal mestre espiritual dotado de poder, um estudante também ganha poder espiritual e consegue gradualmente abandonar os maus hábitos, os falsos conceitos, as inseguranças e incertezas. E se ele também for suficientemente determinado em cultivar conhecimento e devoção, ele também se tornará um guru bhaktivedanta. E, assim, através dessa corrente divina, a consciência de Deus se mantém disponível para as futuras gerações.

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